Qual o balanço que o senhor faz desse trimestre como secretário de esportes?
Encontrei um grupo de servidores com vontade de trabalhar, mas encontrei também muita dificuldade por falta de condições estruturais e financeiras. Não encontrei muito plantio. Peguei uma secretaria já andando. Com as condições que tinha, era feito o máximo possível. Quando assumi, fizemos uma reunião, um café da manhã, com todos os servidores da secretaria, e falei: ‘Vim para fazer o impossível, porque o possível já é feito’. Essa é a nossa meta: fazer o impossível na Secretaria de Esporte.
O que é o impossível no Esporte?
O impossível é entregar mais espaços públicos para a prática de esporte sem ter condições visíveis. Porque, com o recurso, qualquer pessoa será capaz de fazer. Mas e sem recurso? Começamos a estruturar o setor de convênios da Secretaria, para buscar emendas parlamentares. Já viabilizamos. Tem uma verba do PAC, por exemplo, de 2023, que estávamosperdendo. Desde 2023, não usamos. Estamos resgatando essa verba, porque ainda é possível, está na reta final, no último mês para tentarmos viabilizar. É uma verba do PAC, do governo federal, de cerca de R$ 1,5 milhão para a Secretaria, mas que a gente teria que ter uma contrapartida de 200 mil. Não temos essa contrapartida. Onde vamos arrumar R$ 200 mil para não perder R$ 1,5 milhão? É uma das manobras que temos feito aqui.
E se conseguir essa contrapartida, já tem destinação essa verba do PAC?
Seria uma área de lazer na região do Parque Flamengo, porque esse recurso do PAC tem alguns critérios. Um dos critérios é ser uma área plana. Então, quando a Prefeitura manda uma área que não seja plana, ela já é desqualificada. Inicialmentemandaram para outras regiões que não têm esse perfil. E a área que consegui a toque de caixa foi no Parque Flamengo.
E nesse trimestre, qual que é a sua principal realização até aqui?
A conclusão da pista de skate do Fioravante e a participação em alguns campeonatos. Agora em dezembro vamos para os Jogos Abertos com uma delegação de 107 atletas do basquete, vôlei, handebol, futsal, ginásticas artística e rítmica, atletismo, boxe e capoeira; conquistamos 15 medalhas na primeira fase dos Jogos da Melhor Idade e outras 33 no regional, chegando à quarta colocação entre 37 cidades; e nos Jogos Intermunicipais da 3ª Idade de Barueri, foram 33 medalhas na natação adaptada. E estamos viabilizando muita coisa para o ano que vem, como a Copa São Paulo de Futebol Júnior, por exemplo. O Flamengo vai representar a cidade de Guarulhos. Estive com o presidente da Federação Paulista de Futebol para definir Guarulhos como sede da Copinha. Temos que hospedar três times, é uma chave bastante competitiva.
Quanto custa para Guarulhos sediar a Copinha?
Na Copinha nós gastamosquase meio milhão de reais. Hospedagem, transporte dos times e alimentação. Seos times forem passando de fase isso vai aumentando. Se não houvesse esse investimento, Guarulhos teria que jogar fora. Se já é difícil jogando em casa, com a torcida a favor e tudo mais, imagina fora sem essa estrutura. É a nossa contribuição. Tenho feito contato com alguns empresários também para ajudar o Flamengo nessa gestão. Tenho conversado bastante com o presidente do Flamengo e nós, inclusive, já projetamos algumas possibilidades para o ano que vem de parceria da Prefeitura com o Flamengo.
Temos um prazo para entrega da pista de skate do Fioravante?
Já foram feitostodos os testes e vistorias técnicas. Estamos dependendo da agenda do prefeito para fazer a inauguração da pista de esportes radicais. Nós falamos pista de skate porque é o esporte mais praticado da área radical, mas ali serve tanto para o BMX como para o patins. São duas pistas que podem ser usadas para modalidades de BMX, patins e skate. Talvez na semana seguinte ao aniversário da cidade nós consigamos inaugurar.
Na sua última entrevista ao Radar, o sr. comentou que buscava uma emenda para viabilizar a conclusão do Thomeuzão. Houve algum desdobramento?
Já conseguimos a emenda, a obra está em andamento. Houve uma mudança no governo, o secretário de Obras foi trocado, mas já houve a posse do novo secretário e estamos aguardando para batermos um papo com ele. Porém, acredito que o material que precisamos para mudar o telhado chegue até março do ano que vem.Acreditamos que por volta de abril, abril ou maio, o prefeito conseguir inaugurar o Thomeuzão.
Em 2025, o Orçamento para o Esporte foi de R$ 4,2 milhões. Haverá aumento para 2026?
Com essa fatia orçamentária, o que o senhor pretende executar? Saímos de R$ 4,2 milhões porque foi contingenciado 30% do orçamento no início do novo governo. Nossa ideia é não ter esse contingenciamento para o ano que vem, para que possamos voltar a ter os R$ 7 milhões por ano. Até o final do governo Lucas, a ideia é chegar a cerca de R$ 28 milhões por ano para o Esporte.
Por que que Guarulhos, que já foi considerada a capital nacional do esporte amador, hoje passa por uma situação de ter até o Orçamento contingenciado? Por que chegamos a esse ponto?
Era outra época. É incomparável o passado com o agora. Naquela época, eu era atleta e me lembro muito bem: muitos pagamentos eram feitos até no cheque. Pagamentos de hospedagem de atleta, despesa de transporte. O prefeito pegava e fazia uma ligação: ‘Me arruma um ônibus para o atleta fulano’. A cidade tinha muito apoio do empresariado ao esporte.Hoje, a cidade perdeu essa credibilidade. É o que o prefeito fala em todos os discursos dele: temos que voltar a ter orgulho de ser um guarulhense. Precisamos da iniciativa privada. Foi o que fizemos com o Vôlei Guarulhos. Quando assumi o Esporte, o vôlei tinha ido para Brasília, mas conseguimos resgatá-los e trazer de volta para a cidade. Agora, uma empresa da cidade está ajudando, que é o Grupo Sil Cabos Elétricos. Temos conseguido fazer com que o empresário da cidade volte a ter orgulho dos atletas da cidade.
Com todos os projetos que o sr. citou até aqui, quando chegar ao fim a sua passagem pelo Esporte, que legado o Ticiano quer deixar para o Esporte de Guarulhos?
Quero deixar o maior atendimento para a população de Guarulhos através do esporte. Porque o esporte é qualidade de vida, é saúde, é menos depressão. Quero aumentar os números de atendimentos e as possibilidades da prática do esporte na cidade. Se você pegar as turmas que temos hoje, é pequeno o número de atendimento para uma cidade de 1,3 milhão de habitantes. Queremosmais que dobrar isso nos próximos anos. E para isso precisamos primeiramente de organização, para sabermos o que atendemos e em que somos capazes de evoluir.
Diante dessa ambição, o sr. deixará o Esporte em abril para ser candidato?
Há essa possibilidade. A minha vontade é ficar aqui. Mas existe a possibilidade de sair, porque a política é dinâmica. Meu trabalho é muito sério em todos os segmentos. Quando assumo uma responsabilidade, assumo para concluir. Não assumo como trampolim para outras oportunidades. Minha vontade é ficar. Agora, se for da vontade do governo que eu saia em abril com outras possibilidades, posso enfrentar a nova missão.
O que faz o secretário de esporte preferir ficar em uma secretaria com o orçamento enxuto, que já foi contingenciado, e não se lançar candidato a deputado, podendo representar o Estado em uma esfera maior?
O poder de execução da secretaria. Mesmo com orçamento curto, você está no poder Executivo. É uma forma de executar as ações na cidade que atenda os anseios da população. Já no Legislativo, você vai fiscalizar, você vai criar mecanismos, você pode até trazer recursos, mas depende de quem está no governo. Se você pega um governo de oposição, ele dificilmente manda recursos para Guarulhos. Então, eu sei que consigo somar muito mais para a minha cidade com o meu trabalho no Executivo.
O quanto essa intenção de ficar no Esporte passa pela ideia do governo em ter o secretário Giovanni como candidato único da máquina?
Não conversei isso com o governo, mas todos sabemos que o prefeito tem uma boa amizade com o secretário Giovanni. Ele é bem jovem, assumiu a secretaria e tem mostrado para o que veio. É nítida a mudança da cidade e ele está liderando a questão da zeladoria, da limpeza. Era comum você ver a oposição reclamando de corrupção, de desvio. Hoje reclamam da cor do portão do Bosque Maia. Esse apoio do prefeito ao Giovanni é porque ele demonstrou competência para exercer a função e a possibilidade de ser um bom deputado para a cidade de Guarulhos.
O senhor não se sente um pouco desprestigiado? Estamos falando de um ex-presidente da Câmara, dono da segunda maior votação da história para um vereador, sendo preterido por um nome desconhecido…
Não, porque eu sinto até que eu fui reconhecido pela atual gestão. Eu não fiz parte da aliança no primeiro turno e fui contemplado com a possibilidade de fazer parte do governo. O que vejo é que eu estou sendo contemplado, sim. Posso ou não ser candidato. Isso está aberto para mim. Mas a ideia é fortalecer a gestão guarulhense para que todos saiam vitoriosos. Um reino dividido é um reino vencido.
No cenário hipotético que o senhor vá ter a sua candidatura, em que pé estão as conversas sobre ficar ou deixar o PSD?
Tenho um bom trânsito com o PSD estadual. Estive com alguns deputados, como o deputado federal Gilberto Nascimento, evangélico, cristão, e ele mesmo demonstra que o partido tem muito a crescer. Ele é um dos nomes que pede para que eu fique no PSD. Eu acho que essa fase de ter que sair do PSD passou, porém, eu fui convidado pelo grupo da atual administração para fazer parte do grupo do PL na cidade, e eu vejo com bons olhos esse convite. Mas eu não tenho essa ânsia de ter que sair do PSD.
Voltar à presidência da Câmara é uma das suas ambições?
Não. Estive dois anos à frente da Câmara Municipal com muita dificuldade. Vocês acompanharam mais de um ano de brigas judiciais – isso nos bastidores antes de chegar à presidência. Quando eu cheguei à presidência peguei uma Câmara muito difícil de lidar: 34 vereadores, mais de 500 funcionários, ações no Ministério Público, no Tribunal de Contas, mas eu fiz as mudanças que eram necessárias. E hoje respondo e pago por tentar fazer o bem para todos. Todas as questões políticas eu tratei de forma íntegra. Iniciamos uma reforma que seria para a evolução da Câmara Municipal e que foi paralisada. Fizemos a Câmara mais econômica da história da cidade, com mais de 40 milhões de economia. Conseguimos com o antigo prefeito mandar um pouco desse recurso pra saúde, pra hospitais filantrópicos. Destinar uma parte para as questões de Esporte na cidade. E mesmo assim, como não tem isso previsto na lei, foram acordos de fio de bigode que não foram cumpridos… Agente pode voltar para a presidência da Câmara? Dificilmente. A não ser que haja consenso entre Executivo e vereadores.
Como vereador eleito, como vê o nível da produção legislativa em 2025?
É o previsto. Pela qualidade e pela competência de quem está ali, era previsível o nível da atual administração da Câmara. Nada contra, mas sabemos que pode ser feito muito mais, tanto de produção dos vereadores como de andamento da atual administração.