A Motiva venceu nesta quinta-feira, 11, o leilão de concessão da BR-381 (Rodovia Fernão Dias), que liga São Paulo a Belo Horizonte. O certame ocorreu na sede da Bolsa de Valores e marca a primeira disputa efetiva em um processo de otimização contratual, modelo em que o governo repactua o contrato antes de levar o trecho novamente a leilão.
A empresa, que assume a operação pelos próximos 15 anos, apresentou desconto de 17,05% na tarifa de pedágio e se comprometeu a investir R$ 14,8 bilhões em obras, manutenção e modernização da rodovia.
A Motiva superou duas concorrentes: EPR e Arteris, que atualmente administra o trecho e é controlada pelos grupos Abertis (Espanha) e Brookfield (Canadá).
Um corredor chave para Sudeste
A Fernão Dias é uma das rodovias federais mais estratégicas do país, com 569 km de extensão, atendendo aproximadamente 250 mil veículos por dia. O corredor conecta importantes polos econômicos de São Paulo e Minas Gerais e beneficia cerca de 16,6 milhões de habitantes em 33 municípios.
O que está previsto no novo contrato
Entre as melhorias previstas no plano de investimentos estão:
• 108 km de faixas adicionais
• 14 km de vias marginais
• 62 melhorias de acesso
• 29 novas passarelas
• Construção de túneis, passagens de fauna e pontos de parada e descanso
• Intervenções estruturais ao longo de todo o trecho
Segundo o Ministério dos Transportes, este foi o último leilão rodoviário de 2025, totalizando 13 concessões neste ano. No atual governo, já são 22 projetos de infraestrutura terrestre contratados com a iniciativa privada. A expectativa é alcançar 35 ativos concedidos até 2026.
Como funciona a otimização contratual
Nos leilões de otimização, o governo oferece ao mercado um contrato já renegociado com a concessionária atual, revertendo pendências e reequilíbrios. Após essa repactuação, o trecho é leiloado em processo simplificado: vence quem oferecer menor tarifa de pedágio.
Antes da disputa pela Fernão Dias, três otimizações semelhantes ocorreram, mas todas sem concorrência — mantendo os contratos com as concessionárias já estabelecidas. É o caso da BR-101/ES (EcoRodovias), BR-163/MS (Motiva) e BR-101/RJ (Arteris).
A Fernão Dias se torna, portanto, o primeiro caso em que houve competição real após a repactuação do contrato.