O Flamengo de Guarulhos inicia 2026 com a missão de transformar a maior campanha do clube na Copa São Paulo desde 2014 em um novo capítulo vitorioso. Depois de alcançar novamente as oitavas de final em 2025, repetindo o feito de 2014, o Corvo chega à próxima edição do torneio mais maduro, estruturado e fortalecido — dentro e fora de campo.
Pela segunda edição consecutiva o Flamengo representa a cidade-sede, Guarulhos, que receberá o Grupo 28, formado também por Vitória (BA), Capivariano (SP) e Rio Branco (ES). Todos os jogos ocorrerão no Estádio Antônio Soares de Oliveira, no Jardim Tranquilidade, histórico palco da Copinha na cidade. A competição deve começar no dia 2 de janeiro de 2026, com a estreia do Flamengo prevista entre os dias 3 e 4. E mais uma vez, a expectativa é de estádio lotado.
De 2014 a 2025: duas campanhas que mudaram o patamar do Flamengo
Em 2014, o Flamengo surpreendeu o país ao eliminar o Palmeiras por 4 a 3 e chegar às oitavas de final. Onze anos depois, em 2025, o clube repetiu o feito em grande estilo: estádio cheio, apoio massivo da cidade e um time competitivo que caiu apenas para o Vasco em um jogo eletrizante por 5 a 3.
Para Caio Soler, presidente do clube, os resultados recentes mudaram definitivamente o projeto:
“Depois de uma campanha histórica, a responsabilidade aumenta. Mantivemos a base do ano passado, mesclamos jovens com jogadores experientes. Não dá pra vir só com time jovem pensando em negócio. Precisamos competir”, disse em entrevista ao Radar.
Base própria: o fim da era das equipes improvisadas
Por muitos anos, o Flamengo disputou a Copinha com elencos formados às pressas, compostos por jogadores emprestados por empresários. Isso mudou. Em 2024 e 2025, o clube instalou uma estrutura de base própria, formando atletas do sub-11 ao sub-20 dentro de uma mesma metodologia. “É um processo de longo prazo, mas já vemos resultados. Meninos de 2009, 2010, sub-15, sub-17, cresceram dentro do clube. Isso não existia antes, porque, com a aquela ‘terceirização’, o menino jogava um campeonato aqui e não permanecia. Hoje conseguimos ter um olhar mais global, desde o menino lá de baixo, do 15 para o 16, eles vão transitando”, explica.
A vitrine da Copinha e a disputa por jovens talentos
A Copinha é o maior torneio de base do mundo. A visibilidade atrai clubes, empresários e oferece riscos ao planejamento. Caio Soler revela que o clube adotou uma nova postura: “Estamos com uma visibilidade boa. Se você forçar pra fazer negócio, eles acabam saindo, mas isso pode ser ruim. Teremos bastante cuidado: temos mapeado três ou quatro meninos que acreditamos muito, que têm potencial, tratando caso a caso. É óbvio que não queremos atrapalhar ninguém, mas temos que ter esse cuidado de manter uma base para o próximo ano, até porque disputamos o Campeonato Paulista agora, o Sub-20, da primeira divisão, que é um campeonato forte, e não tivermos cuidado, no outro ano vamos passar aperto”.
Guarulhos como sede: festa da cidade e responsabilidade dobrada
A nova geração do Flamengo cresce já entendendo o peso de jogar em casa. Guarulhos se consolidou como uma das sedes mais vibrantes da Copinha. Caio destaca:
“Guarulhos faz uma festa gigante. O estádio lota. A responsabilidade é gigante, mas satisfatória. A cidade para para assistir o Flamengo.” A relação com o poder público também reforça o projeto: “Lucas Sanches ajudou a viabilizar a Copinha. O vice Thiago Surfista é muito presente, um amigo. O secretário Ticiano também está ajudando. É uma parceria importante, mesmo que a gestão ainda seja recente”.
Novo treinador: Wallison retorna ao clube para liderar o sub-20
A Copinha 2026 marca o retorno de Wallison ao Flamengo, agora como treinador do sub-20. Ele já havia comandado o sub-17 e levado o clube a três quartas de final do Campeonato Paulista. Há dois meses no cargo, ele chega para dar continuidade ao novo ciclo da base. Sobre a herança deixada pela campanha de 2025, ele afirma: “Subir o sarrafo só ajuda. É melhor trabalhar tentando fazer igual ou melhor do que corrigindo campanhas ruins. O grupo do ano passado deixou um legado”, afirma em entrevista ao Radar.
O treinador do Corvo classifica a chave da equipe como uma das mais equilibradas da Copinha. “O Vitória dispensa comentários. O Capivariano vem forte. O Rio Branco fez bons resultados. E o Flamengo hoje tem respeito na base. É um grupo em que todos se respeitam”, avalia. O treinador faz questão de reforçar que o Flamengo chega com humildade, estudo e organização.
A estrutura da base e o trabalho mental
O treinador destaca que a Copinha exige mais do que talento:
“O Flamengo trabalha do sub-11 ao sub-20 com bons treinadores. Isso cria uma base forte. Meu papel é mostrar que é mais um capítulo da vida deles. A Copinha pode mudar uma carreira, mas não pode ser um peso. Trabalhamos muito a ansiedade, com psicologia e comissão técnica, para que eles cheguem leves.”
O caldeirão do Tranquilidade
Wallison define bem o ambiente que espera os adversários: “Aqui vira um caldeirão. A torcida é o espelho do que acontece em campo. Vamos entregar nosso máximo para fazer a torcida vibrar”.
Projeção para a temporada: mais do que Copinha
A meta imediata é clara: superar o desempenho da edição 2025. Mas o Flamengo já pensa além e mira o Campeonato Paulista sub-20, trabalha cada vez mais a transição entre as categorias, quer dar continuidade à base própria, se fortalecer enquanto instituição e consolidar Guarulhos como uma sede permanente da primeira fase da Copinha.
O clube divulgará o elenco oficial da Copinha próximo ao Natal. A diretoria assegura que grande parte dos destaques da campanha anterior permanece no grupo.
Chamado final à torcida
O presidente Caio Soler convida a torcida para os jogos da competição: “É entrada franca. Cheguem cedo. Vamos fazer mais uma festa linda. Os meninos contam muito com esse apoio.” Guarulhos está pronta para viver novamente seu janeiro rubro-negro. E o Flamengo também.