Após o episódio de tumulto registrado durante a sessão da Câmara Municipal de Guarulhos, na última quarta-feira, 10, a vereadora Fernanda Curti (PT) registrou um boletim de ocorrência contra o vereador Kleber Ribeiro (PL), alegando ter sido vítima de importunação sexual durante a confusão que aconteceu na galeria da Casa.
A situação teve início após a suspeita de que um homem estaria armado na galeria, onde o vereador do PL discutia com o público presente. Durante o tumulto, Fernanda Curti questionou se o rapaz, que não era servidor da Câmara e teria afirmado ser policial, portava uma arma no momento. Segundo a vereadora, ao levantar o questionamento, foi alvo de uma resposta ofensiva por parte de Kleber Ribeiro.
O Radar de Notícias teve acesso ao vídeo que registrou o momento em que o vereador se dirige à parlamentar com a frase “quer ver a pistola?”, acompanhada de um gesto em direção à própria genitália. O vídeo foi anexado como prova dos fatos ao boletim de ocorrência, formalizado na manhã da última quinta-feira, 11, no 5º Distrito Policial de Guarulhos.
Conforme o boletim, disponibilizado à reportagem, a vereadora relata que se sentiu constrangida e ofendida pelo gesto, que classifica como sexista. O documento aponta a apuração de possível crime de violência política contra a mulher, previsto no Código Penal, no artigo 326-B, que trata de assédio, constrangimento ou humilhação contra mulher detentora de mandato eletivo.
Procurado pelo Radar, o vereador Kleber Ribeiro se manifestou por meio de nota oficial. No posicionamento, ele nega a acusação de importunação sexual e afirma que as declarações da vereadora são “falsas, descontextualizadas e sem suporte fático”. Segundo Kleber, o episódio ocorreu em meio a um tumulto causado pela alegação de que um homem estaria armado, o que, segundo ele, não procede.
Na nota, o parlamentar também cita um histórico de conflitos políticos com a vereadora, menciona ações judiciais em andamento e acusa Fernanda Curti de “distorcer os fatos para criar uma narrativa de ataque político”. Kleber Ribeiro afirma ainda que nunca praticou qualquer ato de cunho sexual ou desrespeitoso e que tomará as medidas legais cabíveis para se defender.
A reportagem apurou ainda que, após a sessão, um agente da Guarda Civil Municipal (GCM) que estava no plenário afirmou, sob condição de anonimato, que o homem identificado com camiseta amarela no vídeo teria confirmado estar armado no local. Essa informação, no entanto, é contestada pelo vereador em sua manifestação oficial.