Um estudo recente sobre criminalidade e produtividade dos policiais militares na região da Praça Oito levantou a possibilidade da substituição da Base Comunitária de Segurança (BCS) por um modelo de policiamento móvel, mais dinâmico e com efetivo reforçado. A proposta, elaborada pelo Capitão da Polícia Militar Fulasi — principal responsável pela base local e autor do levantamento —, foi detalhada em entrevista exclusiva ao Radar de Notícias.
Segundo o oficial, o atual modelo fixo compromete a mobilidade da equipe e limita ações mais efetivas. “Com a base, preciso manter um efetivo fixo tanto para a guarda das instalações, quanto para o policiamento comunitário. Não conseguindo realizar visitas comunitárias nem o patrulhamento como deveria ser feito dentro do programa de Polícia Comunitária”, explicou.
A base da Praça Oito funciona 24 horas por dia e conta com dois policiais por turno, totalizando oito profissionais. Além de servir como ponto de apoio para os agentes, o local dispõe de uma copa onde os policiais fazem diariamente suas refeições.
Antes mesmo do estudo ser formalizado oficialmente, a possibilidade do fechamento da base chegou ao conhecimento de moradores e comerciantes, que logo se mobilizaram. Na última quarta-feira, 23, um abaixo-assinado começou a circular no comércio do bairro. De lá para cá, são mais de 600 assinaturas em apoio à permanência da base e à implantação da Operação Delegada — modelo em que policiais atuam em dias de folga mediante convênio com a prefeitura.
Além disso, os lojistas sugeriram o reforço do monitoramento por câmeras de segurança, que seriam custeadas por eles mesmos. O Capitão Fulasi considera que as propostas da comunidade, caso sejam concretizadas, serão eficazes: “A implantação de uma atividade delegada pelo município seria muito interessante, porque resolveria o problema de efetivo aqui na base. As imediações e o perímetro de atuação estariam policiados”.
O oficial também chamou a atenção para a diferença entre sensação de segurança e segurança real. “A presença física da base transmite uma sensação de segurança. Não há registros de roubos no ponto de ônibus, na padaria ou no banco Itaú, que ficam próximos à base. Mas fora do seu campo visual, se não houver policiamento circulando, a situação se complica”, pontuou.
Comerciantes ouvidos pela reportagem elogiaram a conduta do capitão da PM, que, segundo relatos, tem ouvido, primeiramente, a comunidade. O oficial se comprometeu em manter as atividades da base enquanto os moradores estiverem trabalhando nas propostas apresentadas, mas reiterou: “Isso não pode levar um ano ou seis meses, tem que ser uma resposta imediata”. Não há um prazo combinado para a circulação do documento até o momento.