A noite do domingo, 11, entrou para a história do cinema brasileiro. Pela primeira vez, o Brasil conquistou duas estatuetas no Globo de Ouro e figurou em categorias inéditas para o país. “O Agente Secreto”, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, venceu como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, enquanto Wagner Moura levou o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama. O longa ainda disputou Melhor Filme de Drama, categoria que acabou vencida por “Hamnet”, da diretora chinesa Chloé Zhao.
É a primeira vez que um ator brasileiro disputa e conquista essa categoria. Na premiação do ano passado, Fernanda Torres conquistou a estatueta pela interpretação de Eunice Paiva em “Ainda Estou Aqui”. Em seu discurso, Wagner Moura elogiou os colegas indicados e fez um agradecimento emocionado a Mendonça Filho: “Você é um gênio e um irmão. Eu te agradeço por isso e por muitas outras coisas”.
“‘O Agente Secreto’ é um filme sobre memória, ou a falta de memória, e trauma geracional. Eu acho que se o trauma pode ser passado de geração em geração, valores também podem. Então isso é para aqueles que estão resistindo com seus valores em momentos difíceis”, compartilhou o ator.
Além de Moura, concorreram ao prêmio Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido), Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine) e Michael B. Jordan (Pecadores).
A produção brasileira já acumula outras importantes conquistas.
“O Agente Secreto” venceu o Critics Choice Awards na categoria Melhor Filme Estrangeiro e saiu do Festival de Cannes do ano passado com dois prêmios: Melhor Ator, para Wagner Moura, e Melhor Diretor, para Kleber Mendonça Filho. Segundo críticos de cinema, a conquista do Globo de Ouro pelo ator baiano aumenta as chances do filme emplacar a indicação de Melhor Ator no Oscar.
Ambientado durante a ditadura militar, o filme acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário que, após um conflito com um empresário, deixa a agitada São Paulo em busca de um recomeço no Recife. Para sobreviver, assume uma nova identidade e passa a viver escondido, em meio a tensões políticas, medo e memórias que insistem em não desaparecer.