Longas filas e demora excessiva no atendimento são as principais reclamações dos pacientes que fazem uso da Farmácia de Alto Custo de Guarulhos, equipamento público de gestão estadual, que foi pauta da sessão da Câmara Municipal na última segunda-feira, 15. Os relatos coletados pelo Radar de Notícias na quinta-feira, 18, ainda apontam a ineficácia do atendimento preferencial, o que é grave diante do perfil dos usuários: são majoritariamente idosos, que possuem dificuldade de locomoção ou enfrentam outras comorbidades. Na prática, todos ali deveriam ser tratados como prioridade, mas a estrutura não permite diferenciações.
Gedevon José, que há um ano retira seus medicamentos na Farmácia de Alto Custo, relatou dificuldades constantes no atendimento. Embora o dia em que foi entrevistado tenha sido considerado “tranquilo”, com ausência de fila externa, ele ainda esperou cerca de 40 minutos para ser atendido dentro da farmácia. O paciente contou que já enfrentou situações mais extremas, como aguardar uma hora e meia apenas para entrar no estabelecimento e não receber atendimento preferencial pouco tempo depois de passar por uma cirurgia.
“Fui retirar meus medicamentos, recém-operado, e não recebi senha preferencial. Questionei, mostrei que ainda estava com pontos e utilizando dreno, mas mesmo assim um profissional afirmou que não havia prioridade e sequer me deu a devida atenção”, relatou. Gedevon está em recuperação de um câncer no pâncreas e toma 10 comprimidos de Creon (pancreatina) todos os dias. A farmácia costuma fornecer mensalmente 30 caixas do medicamento e agendar a data da retirada seguinte. Desta vez, no entanto, o agendamento não obedeceu o tempo necessário de retorno, o que deixará Gedevon sem medicação por dois dias.
Uma paciente ouvida pela reportagem na condição de anonimato relatou ter esperado cerca de quatro horas no dia anterior — chegou às 13h30 e saiu às 17h, sem retirar os medicamentos por uma rasura identificada em sua receita. Apesar da longa espera, ela reconheceu que os remédios sempre foram entregues corretamente e conforme a prescrição médica. O maior problema, segundo ela, é a estrutura física do estabelecimento: o espaço é pequeno, não comporta o número de usuários e não há qualquer tipo de cobertura externa, como toldo e tenda. Em dias de chuva, os pacientes ficam completamente desprotegidos, situação que ela já vivenciou.
O Radar de Notícias constatou a existência de 18 guichês, 15 dedicados à checagem de laudos e receitas, e outros três voltados à entrega dos medicamentos. Os pacientes ouvidos pela reportagem alegaram que os “poucos profissionais não dão conta de realizar o atendimento com celeridade”, especialmente em dias com grande demanda.
Questionados sobre qual seria o melhor dia para a retirada ágil dos medicamentos, pacientes disseram que é “questão de sorte”, que a ausência de fila externa naquela tarde “era quase um milagre”. Alguns apontaram que as quintas-feiras costumam ser “mais tranquilas”, enquanto no início do mês, logo após o quinto dia útil dos meses, há mais movimento. “Muita gente espera receber para vir. Tem gente que vem de longe e o transporte não é barato”, comentou um familiar de uma paciente, apontando a necessidade ter de outras Farmácias de Alto Custo no município.
O vereador Daniel Alves (DC) protocolou na Câmara Municipal de Guarulhos uma moção de repúdio contra o atendimento prestado pelo equipamento. O documento também faz um apelo ao Governo do Estado de São Paulo para que adote, por meio da Secretaria Estadual da Saúde, providências imediatas a fim de sanar as falhas estruturais e operacionais do serviço. A proposição foi aprovada na sessão de segunda, e o parlamentar aguarda providências do Palácio dos Bandeirantes.